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Não existe mágica quando o assunto é gestão hospitalar

Por Roberto da Cruz e André Silveira em 24 de maio de 2016

shutterstock_124509472Anos de experiência na área da saúde e solidificação de empresas nos mostrou a certeza que não existe mágica na arte da gestão; é preciso visão, estudo de mercado e muito investimento. Segundo dados da ANAHP (Associação Brasileira de Hospitais Privados), o setor de saúde investiu 6% em TI durante 2015, contra 7,6% de outros setores (inclui indústria, comércio e serviços). Ainda que seja um número tímido, a saúde apresentou investimento maior que em 2013 e 2014, no qual eram 5,4%.

 

Temos visto que nos últimos anos tem crescido o interesse pelas instituições na implantação de sistemas de informação. Isso é aprovado também pelos representantes da maior força de trabalho das instituições. Para 72% dos médicos e 76% dos enfermeiros da rede pública, a implantação de sistemas eletrônicos possibilita a melhora da qualidade do tratamento, de acordo com a pesquisa TIC Saúde 2014, divulgada pelo CGI.br (Conselho Gestor de Internet no Brasil). Não só na operacionalização, os softwares hospitalares permitem dar aos gestores uma visão holística de um todo; é como se ter uma planta baixa viva do hospital nas mãos.

 

A importância de investir em tecnologia para a saúde, e mais ainda, em um sistema de informação para a gestão hospitalar, vai além de simplesmente cuidar da estrutura básica da instituição. É sabido que implementar regras de faturamento, respeitar padrões da Agência Nacional de Saúde (ANS) e de preenchimento de guias TISS (Troca de Informação em Saúde Suplementar), são passos fundamentais para a organização primária de um hospital.

 

No entanto, há outros pontos que, na gestão hospitalar, devem ser levados em conta e que são considerados pilares para saúde organizacional de uma instituição de saúde.

 

Processos Seguros

 

É necessário um sistema de informação robusto, integrado e completo que possa tornar os processos internos mais seguros e que privilegie a amarração da cadeia de atividades como um todo no atendimento hospitalar. Desde a marcação da consulta até o momento do recebimento do pagamento pela operadora de saúde.

 

A fluidez no processo ocorre no momento que o sistema de gestão hospitalar auxilia no controle de atividades que exijam regras complexas, com o preenchimento de campos específicos com dados que não podem ser apresentados de forma equivocada, como a administração de medicamentos e aprovação de realização de procedimentos por um convênio médico para evitar faturamento maior ou até glosa, por exemplo.

 

A inteligência do processo passa a não depender tanto da pessoa, mas sim do sistema, evitando assim, equívocos primários. O estudo da Consultoria Folks aponta que ao utilizar um sistema digital de farmácia na instituição com leitura de código de barras dos medicamentos, por exemplo, a porcentagem de erros diminuiu de 11,5% para 6,8% nas instituições analisadas.

 

Deixar os processos mais seguros e fluidos, não somente impacta em menos gastos financeiros, importante em momento de crise, como também em mais confiabilidade para o paciente.

 

Informação para apoio de decisão

 

O software de gestão hospitalar ideal proporciona um bom acesso a informação, rápida precisa e confiável. É preciso conseguir consultar ao sistema com certa flexibilidade e obter respostas adequadas, que gerem hipóteses que possam auxiliar na tomada de decisões estratégicas.

 

Isso deve ocorrer nas mais diversas áreas, faturamento, atendimento, clínicas, diagnóstico por imagem, etc. O sistema deve poder ser visto como uma ferramenta de BI (business inteligence) para os gestores da instituição poderem apoiar suas decisões.

 

E porque é importante ter essas informações? O que a gestão tem a ver com o bem estar do paciente? Com um sistema confiável, é possível monitorar, por exemplo, o tempo de permanência de um paciente por perfil de doença apresentado e protocolo clínico. Se uma pessoa com uma doença menos grave está internada por um longo período, isso gera gastos desnecessários para a unidade e desconforto imenso ao paciente. Esse cenário pode ser evitado se houver uma análise caso a caso, por meio de indicadores apresentados no software de gestão. Além disso, é possível verificar casos opostos, nos quais a eficiência da resolução do problema do paciente foi rápida e efetiva, assim, pode-se tornar isso uma prática recorrente.

 

No entanto, analisar a performance clínica da unidade, taxa de retorno do paciente e efetividade do tratamento, embora já seja uma realidade em muitos países, aqui ainda é um processo que está em fase embrionária, mas com grandes possibilidades de se tornar algo institucionalizado. O que justifica os dados da IDC Health Insights, mostrando que por conta da maior adoção de tecnologias modernas e complexas, a demanda por capacidades de big data e analytics deve aumentar até 2018.

 

Gestão da instituição de saúde

 

Com indicadores apresentados pelos sistemas de informação é possível ainda, verificar outros parâmetros importantes para a instituição. Saber, por exemplo, que o hospital consegue compreender todos os procedimentos realizados e quais materiais e insumos foram utilizados evita prejuízos financeiros e administrativos. Tão relevante ou mais, é a manutenção de uma gestão adequada, que impacta diretamente na qualidade de atendimento.

 

Do total de estabelecimentos de saúde com internet, 66% deles têm sistema eletrônico para gerenciamento e armazenamento de informações de saúde dos pacientes, segundo dados da TIC Saúde 2014. Enquanto que a pesquisa da Accenture mostra que 61% dos profissionais brasileiros utilizam sistema de prontuário eletrônico regularmente para lançar e consultar informações do paciente. Ainda não são números ideais, especialmente se considerarmos as informações da TIC Saúde de que apenas 23% das instituições possuem prontuários totalmente eletrônicos. Ainda assim, mostra que a saúde brasileira pode estar no caminho certo da adoção de tecnologias para gestão que reflitam positivamente na segurança e melhor atendimento do paciente.

 

O prontuário eletrônico do paciente gera uma facilidade do registro da informação, que auxilia para um atendimento mais ágil e com sensação maior de conforto e segurança ao paciente. É possível, por exemplo, verificar se já houve administração de um medicamento, se há alergias ou possíveis interações medicamentosas. Segundo a TIC Saúde, os sistemas de informação que possibilitam alertas e lembretes de interação medicamentosa estão em 22% das instituições de saúde, enquanto que alertas e lembretes de alergia a medicamentos estão em 20% delas. Dados mostram que, embora em estágio intermediário de adoção, estas tecnologias reforçam o atendimento de qualidade.

 

Todos os pontos relatados nos três pilares de gestão, impactam não apenas na reputação da instituição, como também na saúde financeira, mas principalmente no fator mais importante: a relação entre médico e paciente e entre instituição de saúde e paciente.

 

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